CONSTRUÇÃO DO NOVO PRÉDIO

 

O prédio onde funcionava a Loja Maçônica Cataguazense, já por algumas vezes reformado, necessitava de novas obras para sua conservação, dado o estado precário de suas instalações.

         

   O Banco do Brasil estava procurando um local para construção de sua nova sede tendo em vista que o prédio onde funcionava, sito à praça Governador Valadares, era um velho sobrado que também não oferecia boas condições para seus trabalhos, tendo em vista o desenvolvimento de seus negócios. Fomos procurados pela direção daquele estabelecimento que nos fez a proposta de trocarmos nosso prédio por aquele onde funcionava a agência do referido banco.

 

Caixa de texto: Antiga Loja Cataguazense
Foto de 1913

 

            Na época os dirigentes da Loja Maçônica Cataguazense acharam que a proposta constituía um bom negócio para a mesma, passando a se movimentarem para que a troca fosse realizada. Estávamos no ano de 1948 quando assume o malhete de Venerável da Oficina o Ir\ João Guimarães Peixoto que já havia se manifestado contra a transação, tendo em vista o estado precário do prédio onde funcionava o Banco do Brasil, em face do que exigia a nossa Oficina.

 

 

            O Ir\ Venerável considerou também a localização dos dois prédios, sendo que o nosso estava localizado em local nobre na cidade, em pleno centro comercial e de maior valorização.

 

            O Ir\ Venerável tecendo vários argumentos em favor de sua opinião, manifesta-se ser favorável não à reforma ou troca do prédio, mas sim à construção de novo prédio, no mesmo local onde funcionávamos.

 

            Alguns IIr\ acharam a idéia um sonho irrealizável e visionário, continuando a defender a proposta da troca feita pelo Banco do Brasil. Durante várias sessões o assunto foi bastante discutido, e em uma delas o Venerável João Guimarães Peixoto coloca em votação as duas propostas, sendo que a defendida por ele venceu por grande maioria de votos. Passamos a traçar os planos para construção do projeto, e verificamos que primeiramente precisávamos de uma planta do prédio a fim de fazermos uma previsão da importância necessária e a conseqüente maneira de a obtermos.

 

            Procuramos nosso Ir\ Luzimar Natalino de Góis Teles a quem expusemos nossos planos, sendo que o mesmo se prontificou a executar o referido projeto, o que de fato foi feito.

 

            Enquanto aguardávamos o término do projeto, o Ir\ Venerável propôs que os IIr\ fizessem um empréstimo à Loja, reembolsável nas seguintes condições:

 

1º - A quantia subscrita deverá ser paga em 10 (dez) prestações iguais e    mensais, ficando o subscritor, porém, com a liberdade de fazer o pagamento total de uma só vez ou em prestações maiores.

 

2º - As prestações serão pagas, impreterivelmente, até o dia 5 (cinco) do mês seguinte ao vencido.

 

3º - O Patrimônio social garantirá o presente empréstimo.

 

4º - Uma vez arrecadado o total de cada subscrição, os recibos serão trocados por títulos nominativos, do valor de CR$ 500,00 cada.

 

5º - Os títulos vencerão os juros de 6% anuais e serão resgatados por sorteio semestrais, logo que o prédio estiver dando renda.

6º - Em caso de desemprego o Ir\ subscritor ou enfermidade grave, na sua pessoa ou da família, ficarão suspensas os pagamentos das prestações até que desapareçam os efeitos de tais ocorrências.

 

7º - No caso de morte do Ir\ subscritor, serão restituídas as prestações a quem de direito, uma vez comprovada absoluta necessidade de suas sucessoras, a juízo da Loja.

 

O projeto solicitado ao Ir\ Luzimar deveria constar de três (03) pavimentos, sendo que ele calculava mais ou menos o custo para construção do 1º pavimento em CR$ 200.000,00, sendo por isso necessário o sacrifício dos IIr\ do quadro. Esta importância deveria ser obtida primeiramente pela subscrição dos IIr\ em caráter de empréstimo, conforme condições já apresentadas e assim começarmos a construção.

 

O Plano exposto pelo Venerável foi amplamente discutido e posto em aprovação obteve unanimidade. Em seguida o Resp\ Mestre apresentou uma lista para subscrição do empréstimo convocando todos os IIr\ presentes a darem sua assinatura e a importância com que se comprometiam a concorrer, tendo no final obtido a importância de CR$ 90.000,00 (noventa mil cruzeiros) entre os 35 IIr\ presentes, o que constituía um resultado magnífico. Em seguida o Resp\ Mestre agradece a todos os IIr\ pela maneira como discutiram e aprovaram as  resoluções da presente sessão no plano por ele apresentado, e invoca o Gr\ Arch\ do Univ\ para que nos guie nesta grandiosa tarefa.

 

Era assim que começávamos a por em realidade o sonho há muito acalentado, nesta sessão de 30 de setembro de 1949.

 

Em 03/10/52 O Ir\ Luzimar nos fez entrega da planta do edifício com todas suas características. O projeto que deveria constar de 3 pavimentos não pode ser realizado dentro de nossos desejos tendo em vista que as posturas municipais da época não permitiam construções além de certos padrões de altura. Assim é que foi usado o artifício de ser o 2º pavimento construído com altura inferior, como sendo sobre-loja.

 

A referida planta foi feita também prevendo o caso de futuramente ser permitida a construção com maiores alturas, sendo previsto também o local para colocação de um elevador e mais dois andares.

 

Havia necessidade de ser nomeada uma Comissão de Construção e por proposta aprovada em Loja ficou assim constituída: Presidente João Guimarães Peixoto; Tesoureiro João José Keneip; Secretário Paulo Pessoa de Souza. Para o Conselho Fiscal foram indicados os nomes dos IIr\ Dr. Francisco Ferreira Gomes Neto; Maurício Carrara de Araújo e Wilson Mendonça de Souza.

Como se depreende das datas apresentadas, o período de  seis anos compreendido de 30 de setembro de 1949 a 17 de junho de 1955 não ficamos parados. Tendo em vista a grande responsabilidade que assumíamos, julgamos prudente agirmos com cautela. Durante todo este período passamos a angariar fundos para a obra planejada, empregando todos os meios para obtenção dos mesmos. O Tronco de Construção foi estabelecido e no mesmo eram colocadas substanciais importâncias em homenagens a datas dos aniversários de IIr\, pessoas de suas famílias, casamento e formatura de filhos, datas cívicas, etc.. Foram abertas novas subscrições de empréstimos aceitas pelos IIr\, rifamos uma geladeira e um automóvel, fazíamos leilões entre nós, os IIr\ faziam doações diversas assim como tecidos, livros, etc., para serem vendidos e o resultado convertido para a construção.

 

Foi um trabalho árduo mas feito com total desprendimento e amor pelos nossos valorosos IIr\.

 

Em 1º de julho de 1955 foi apresentado pelo Ven\ Mest\ e aprovado pela unanimidade da Loja o programa para os festejos comemorativos do início de nossas obras. Convidaríamos o Sereníssimo Grão Mestre e o Grão Mestre Adjunto, respectivamente os IIr\ Professor Àlvaro Palmeira e Dr. Benjamim de Oliveira Bonfim, assim como várias Lojas do Poder Central e do interior. No dia 9 de julho do corrente, às 19 horas seria dada a posse do Venerável eleito Ir\ Paulo Pessoa de Souza, em caráter interno tendo em vista as condições precárias em que já se  encontrava nosso Templo. No mesmo dia, às 20 horas, no salão de festas do Cine-Cataguases seria feita a transmissão do cargo de Venerável e a posse da nova Diretoria. Dia 10 de julho de 1955, às 10 horas seria feito o lançamento da pedra fundamental do novo edifício e às 12 horas teríamos um almoço oferecido aos visitantes.

 

Esta festa, que foi realizada conforme idealizada, deveria montar em CR$ 7.000,00 (sete mil cruzeiros). Esta importância seria cobrada de cada Irmão à razão de CR$ 200,00 (Duzentos cruzeiros) para os que quisessem participar do almoço e CR$ 300,00 (Trezentos cruzeiros) àqueles que se fizessem  acompanhar de suas esposas.

 

O Ir\ Dr. Luzimar Natalino de Gois Teles, autor do projeto, apresentou o cálculo do custo para a construção até à sobre-loja, montando o mesmo em CR$ 200.000,00 (Duzentos mil cruzeiros). Em sessão de 12 de julho de 1957 o Ir\ Dr. Luzimar faz uma explanação geral sobre a construção, propondo que a mesma se iniciasse na parte dos fundos de nossa Loja, onde tínhamos um terreno vago, construindo no mesmo uma sala para nossas reuniões, tendo em vista a necessidade total de demolição, o que facilitaria assim a construção, o que de fato foi feito.

 

Em 29 de novembro de 1957 foram concluídos os alicerces do novo prédio e em 17 de janeiro de 1968 terminada a construção das salas onde passaríamos a funcionar, nos fundos de nosso terreno, sendo que a primeira sessão realizada nas mesmas se deu em 25 de abril de 1958, o que constituía a vontade férrea dos IIr\ da Cataguazense. Estavam presentes a esta 1ª sessão os IIr\ José Cassimiro de Magalhães – Ayres Souza do Nascimento – Leocides Pinto da Silva – Antônio Manoel da Costa – Nelson Coimbra Ribeiro – João José Kneipp – Itamar Pereira da Rocha – Waldemar Gomes Rosa – Raul de Souza Queiroz – Raimundo Vieira de Queiroz – Argemiro Magalhães – Lysis Brandão da Rocha – Telmo Assis Amand – Francisco Ferreira Gomes Neto – José Lacerda – João Guimarães Peixoto – Paulo Morais Amaral – Alencar Augusto da Fonseca – Darci de Souza – Aladim Valverde – José Namorato Filho – Silas Soares de Almeida – Alberico Dutra de Siqueira – Paulo Pessoa de Souza – Geraldo Farage  e Dr. Fenelon Barbosa.

A esta altura o fundo de construção achava-se quase esgotado, quando o profano Manoel Moura propõe comprar por CR$ 15.000,00 (Quinze mil cruzeiros) todo o material proveniente da demolição da Loja. Esta importância com mais alguma proveniente da participação de alguns IIr\ e o aluguel de nossos terrenos para montagem de barracas de artigos carnavalescos, deu algum alento até que organizássemos novos planos para obtenção de mais numerário, sendo que quase todos os Ir\ renovaram seus empréstimos. A esta altura o Ir\ Dr. Francisco Ferreira Gomes Neto faz a proposta para vendermos as 09 salas que iriam compor o 1º pavimento, na média de CR$ 300.000,00 (trezentos mil cruzeiros) cada uma, totalizando um CR$ 2.700.000,00, (Dois milhões e setecentos mil cruzeiros) o que foi aprovado com as seguintes condições: 20% de entrada e o restante em prestações a combinar, sendo dada à preferência para os IIr\ que desejassem comprar.

 

Além disto ficaria constando também que a Loja “Cataguazense” teria preferência, em igualdade de condições, a adquirir as referidas lojas em caso de desejo de vendê-las por parte do proprietário.

 

Em sessão de 18 de agosto de 1961 o Ir\ Paulo Pessoa de Souza, um dos IIr\ que mais lutaram para construção de nossa obra, se congratula com a Oficina pelo término da 1ª laje do edifício.

 

Começamos novamente a acelerar os trabalhos da construção, sendo que aos 9 dias do mês de outubro de 1961 tivemos a grande satisfação de vermos a laje do piso do 3º pavimento terminada.

 

Em sessão realizada aos 10 dias do mês de novembro de 1961 o Ir\ Paulo Pessoa de Souza comunica que o Ir\ Dr. Luzimar, autor do projeto e responsável por nossas obras, fez retirar sua placa e o seu construtor sem nenhum aviso prévio. O Ir\ Manoel Bráulio Barroca, construtor licenciado, a assumir a direção dos trabalhos da construção, ao que ele aceitou em sessão de 12 de janeiro de 1962, comprometendo o mesmo a prestar seus serviços sem receber nada em troca, o que de fato se deu e nos comoveu muitíssimo.

 

No dia 5 de fevereiro de 1962, tendo o Ir\ Manoel Bráulio Barroca já à frente das obras de construção, são iniciados os trabalhos do 3º e último pavimento, ficando o mesmo terminado em março de 1963, faltando tão somente o acabamento.

 

O Resp\ Mest\ expõe à Oficina a situação financeira difícil da Loja e pede sugestões de como solver nossos débitos.

O Ir\ Paulo Pessoa de Souza em uma eloqüente profissão de fé maçônica e no Gr\ Arch\ do Univ\ chegou a dizer que assumiria o compromisso de todos os débitos da Loja por achar que os mesmos nada significavam em face ao que já temos feito.

 

Estas palavras provocaram grande emoção entre os IIr\, sendo que a maioria se prontificou também a auxiliar. O Ir\ Astolfo Olegário de Oliveira propõe que se faça uma rifa de um automóvel, o que foi aprovado.

 

Em sessão do Sublime Capítulo realizada aos 31 dias do mês de janeiro de 1964 foi feita uma proposta dos dirigentes do Clube Manufatura Mineira para que seus bailes carnavalescos fossem realizados em nosso salão de festas em troca do término de algumas de nossas dependências, o que foi aprovado por unanimidade. Esta proposta se estendeu até o ano de 1970, tendo assim contribuído bastante para o término de nossas obras, o que se deu neste ano.

Em janeiro de 1965 foi concluída a pintura de nosso Templo, feita pelo então profano Ady Pereira de Rezende que nada cobrou pelo seu trabalho.

As obras do novo prédio estavam quase terminadas. Os IIr\ se desdobravam em esforços para sua conclusão. Não houve nenhum Ir\ que se furtasse a empregar seus esforços, mais é de justiça ressaltar os trabalhos daqueles que mais se sacrificaram e contribuíram para a realização de nossos planos. Destacamos os IIr\ Paulo Pessoa de Souza, João José Kneipp, João de Oliveira Barroso e Manoel Bráulio Barroca. A estes IIr\ a nossa gratidão.

 

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