Resumo Histórico da Loja Maçônica

“Cataguazense”

 

 

Em 19 de outubro 1888,  foi fundada a  Loja Maçônica “Cataguasense”, cumprindo-nos salientar que a referida Loja já funcionava em Cataguases, no mesmo local, com o título de Loja Maçônica “Flor da Viúva”, conforme registros nos boletins de N.º 01 a 07 do Grande Oriente do Brasil, referentes aos meses de janeiro a julho de 1883 às páginas 30, 31 a 196.

O pequeno “chalé” onde funcionava a Loja Maçônica “Flor da Viúva” era de propriedade do Ir\ José dos Santos Júnior, seu primeiro Venerável, reeleito por 3 anos, a que residia ao lado com sua família, exercendo a profissão de açougueiro.

Com o desmoronamento de parte do prédio e as dificuldades então existentes para sua recuperação, a Loja “Flor da Viúva” abateu colunas e ficou “adormecida”.

 

CAMPANHA ABOLICIONISTA E REPUBLICANA

 

Pelas pesquisas feitas nos Boletins acima citados e nos livros de Atas dos anos correspondentes, nos colocam a par de fatos importantíssimos para a história de nossa Pátria e de nossa cidade, pois foi o período em que se processavam as campanhas abolicionistas e republicana, sendo que vamos encontrar grandes vultos de nossa história, ligados à nossa Oficina, nelas trabalhando ativamente.

            Perseguidos pelas forças contrárias, muitos Irmãos do  Rio de Janeiro, então capital federal e centro dos movimentos acima citados, procuraram a cidade de Cataguases a fim de estabelecerem a sede de contato com os republicanos da Província, nome que então se dava aos Estados, fazendo daqui a propaganda de suas idéias. Estas idéias que tinham como força alimentadora a Maçonaria Brasileira, empolgou a Loja Maçônica “Cataguasense” que, a partir de 1886 recebia visita de grandes vultos que fazem parte da história de nossa Pátria.

            Assim é que em nossas Atas do ano de 1888 consta a visita dos Irmãos Saldanha Marinho, Saldanha da Gama, dentre outros e do Poderoso Irmão Quintino Bocayuva, jornalista, um dos maiores propagadores das idéias republicanas, a que serviu toda a sua vida, em favor das reformas sociais e políticas que agitava o país, chegando a ser eleito Chefe Supremo do Partido Republicano, e das suas mãos sairiam os primeiros os primeiros decretos, na noite de 15 de novembro de 1889, redigidos no Instituto dos Cegos no Rio de Janeiro. Foi membro do Governo Provisório que primeiro instalou no Brasil, e mais tarde Governador do Estado do Rio de Janeiro. Foi este homem que Cataguases recebeu em 1888, um ano antes destes acontecimentos, sem saber ainda que estava hospedando um dos maiores vultos da nossa história.

            Exercendo relevante cargo no Grande Oriente do Brasil e vendo que nossa Loja não podia continuar “adormecida”, reúne os Irmãos e lança entre eles as chamas que dariam entusiasmo para o reerguimento de nossas colunas.

            Quintino Bocayuva figura em nosso livro de Registro de Irmãos como sendo o primeiro Irmão de nosso quadro, e promete dar todo seu apoio no Poder Central à nova Loja que renascia com o nome de Loja Maçônica Cataguasense. E com efeito, a 19 de outubro de 1888 nos envia o Breve Constitutivo de nossa Loja, pelo Diploma assinado pelo então Grande Secretário Geral Irmão Joaquim Alves Amaral sob o número de registro (cento e sete mil seiscentos e quarenta e um) 107.641 em que era reconhecida a fundação de Augusta e respeitável Loja Simbólica Cataguasense e outro registro sob o número 113.829 da mesma data, reconhecendo a fundação do Sublime Capítulo Cataguasense.

            A Loja assim reerguida abraçou as idéias de Quintino Bocayuva, e assou a fazer em nossa região a campanha republicana. Os Irmãos puseram-se em campo e passaram a fundar Lojas Maçônicas em outros Orientes. Assim é que em Leopoldina e vista Alegre, com apoio do então Senador Irmão Ribeiro Junqueira, foram fundadas as Lojas Verdade e Luz e Memória a Saldanha Marinho respectivamente. Não nos estenderemos contando as grandes lutas empreendidas por nossos Irmãos do passado em prol da República, pois que isto faz parte de outra face de nossa  história, mas não é demais que se diga que nos anais de nossa Loja temos anotado todos os magníficos trabalhos em prol da Proclamação da República.

HINO NACIONAL BRASILEIRO

 

Cinco anos após estes acontecimentos, vem residir em Cataguases, já     então  célebre  pelos  grandes  nomes de cidadãos que por aqui passaram, o advogado, jornalista e literato Joaquim Osório Duque Estrada. Aqui chegando foi absorvido pelos intelectuais e políticos da cidade, pertencentes à nossa Loja e vizinhas, tais como: Dr. Astolfo Dutra Nicácio, por duas vezes Presidente da Câmara dos Deputados Federal; Senador Ribeiro Junqueira, Senador e membro fundador das Lojas Verdade e Luz e Memória a Saldanha Marinho, Dr. Eduardo Ernesto da Gama Cerqueira, presidente da Câmara Municipal de Cataguases, Senador e Vice Presidente do Estado de Minas Gerais; Cel. João Duarte Ferreira, banqueiro, industrial, comerciante, e muitos outros que seria por demais longo enumerar.

            Conforme consta no livro de atas do ano de 1894, página 19, Joaquim Osório Duque Estrada solicita seu ingresso na Loja Maçônica Cataguazense em data de 5 de julho de 1894, tendo sido iniciado em 2 de agosto do mesmo ano, conforme registro as páginas de número 24. Daqui envia seus artigos para o jornal “Correio da Manhã”, do qual mais tarde passou a ser o redator.

            Nascido no Rio de Janeiro em 1870, foi jornalista e literato. Bacharel em letras pelo Colégio Pedro II, exerceu o cargo de secretário da legação brasileira no Paraguai. Publicou Flora de Maio (versos) Gioconde e Daniel Danunzio; Noções elementares de gramática; Tesouro poético brasileiro e Notícias Militares.

            Em 1904, ainda fazendo parte de nossa Loja, escreve a letra para o Hino então chamado de 7 de abril e que foi mais tarde oficializado, em 1922, como HINO NACIONAL BRASILEIRO. Ter o autor da letra do Hino Nacional Brasileiro como pertencente à nossa Loja Cataguazense, é motivo de orgulho não só para os maçons como também para a cidade de Cataguases.

            Consolidado o regime republicano, aos poucos a tranqüilidade volta a tomar conta do país, e a Loja Maçônica Cataguazense continua a luta em prol da coletividade.       

 

HOSPITAL DE CATAGUASES

 

É iniciado em nossa Loja no dia 30 de abril de 1896 o profano José Gustavo Cohen que chegara em Cataguases em 1893, onde criou um vasto círculo de amizade em todas as camadas sociais, graças à sua facilidade de comunicação e de seu espírito sensível ao bem.

            Inconformado com o sofrimento dos menos aquinhoados na vida, lança em Loja a idéia de se fundar em Cataguases um Hospital destinado a dar assistência adequada aos doentes, principalmente àqueles desprovidos de quaisquer recursos pecuniários.

Tendo obtido logo o apoio dos Irmãos, funda a “Casa de Misericórdia dos 33” que prestou relevantes serviços à comunidade.

A princípio sua proposta fora recebida com certa reserva e desconfiança, tendo em vista seu pouco tempo de residência em nossa cidade, tendo suas idéias sido consideradas como uma quimera. Estávamos no ano de 1897 e a Loja encontrava-se com sua situação financeira um pouco abalada devido Ter empregado muito de suas reservas na construção do Templo que havia desabado, em parte, no ano de 1896.

Apesar de toda sorte de dificuldades em levar avante as suas idéias, chegando mesmo a afirmar que arcaria sozinho com as despesas para consecução da obra com os parcos recursos de sua profissão, José Gustavo Cohen com o correr do tempo conseguiu obter crédito de confiança da população da cidade, que nesta época atravessava uma fase de grande desenvolvimento econômico. Juntando-se ao auxílio dos Irmãos da Loja Maçônica Cataguazense alguns comerciantes e empresários, dentre eles o Cel. João Duarte Ferreira que também era maçom, e Dr. Norberto Ferreira, pode finalmente ser criado o Hospital de Caridade, sendo eleito seu primeiro administrador o Irmão José Gustavo Cohen.

Entretanto os recursos obtidos do povo e da municipalidade para sua manutenção não cobriam as despesas do Hospital. O poder público municipal não tinha condições para mantê-lo.

Era o nosso Irmão o Dr. Heitor de Souza, célebre jurista que gozava de muito prestígio junto às autoridades governamentais do Estado, tendo sido mais tarde um dos componentes do Supremo Tribunal Federal. O Irmão José Gustavo Cohen passa  a administração do Hospital para o Irmão Heitor de Souza que fazendo um apelo às autoridades do Estado foi atendido prontamente.

Depois de tantas lutas o povo de Cataguases vê finalmente triunfar os ideais do Irmão José Gustavo Cohen, merecedor de nossa eterna gratidão. Finalmente em 1924  inaugura-se o Hospital de Cataguases.

 

 

LICEU FREDERICO DE BARROS

 

A Loja Cataguazense não podia ficar inativa na ajuda à nossa Comunidade. O Irmão Frederico de Barros vendo a grande dificuldade para os estudos de nossa mocidade, propõe à Loja a fundação de um Liceu que funcionaria em sua sede, prontificando-se a dar aulas gratuitamente. Foi assim que em 20 de abril de 1896 é fundado o Liceu que recebeu o nome de seu idealizador “Frederico de Barros”.

            O referido Liceu passou a ministrar aulas para rapazes e moças nos graus primário e secundário. As aulas noturnas seriam para rapazes de 20 a 25 anos e diurnas para alunos de 8 a 14 anos, a partir de 1º de maio de 1896.

ATA DA INSTALAÇÃO DO LICEU “FREDERICO DE BARROS”

 

                Ao 1º dia do mês de julho de 1896, às 6 horas da tarde, nesta cidade de Cataguases e no prédio da Loja Maçônica Capitular “Cataguazense”, presente o Dr. Augusto de Almeida, Venerável da Loja, comigo Secretário abaixo assinado, presentes também o Tenente Fortunato Gomes da Silva e outros IIr\ e ainda diversos cavalheiros que concorreram ao ato, bem como alunos cujos nomes constam do Livro de Matrículas.

            Pelo presidente Dr. Augusto Albino de Almeida foi declarado instalado o “Liceu Frederico de Barros” de acordo com os respectivos estatutos, e deu a palavra ao Orador da Loja, Ir\ Antônio Januário Carneiro, o qual dela se utilizando sucintamente expôs não só o promotor da idéia da criação do dito Liceu que deve a paternidade à pessoa cujo nome adotou, quais os fins a que se destina o mesmo Liceu,  fazendo votos para que a população de Cataguases, sempre entusiasta de idéias grandiosas, não desampara esta que é sem dúvida a que deve preocupar os povos amantes do progresso.

            Logo após o Ir\ Tenente Fortunato Gomes da Silva cumprimentou a Loja Cataguazense brindando ao Venerável saudaram Cataguases pelo cometimento grandioso a que se dava a promissão de prosperidade para os filhos desta localidade. Presente ao ato se achava a Banda de Música “Aurora Cataguazense” que diversas peças executou, sendo a mesma Banda regida pelo maestro Leopoldo Carlos da Silva. Não havendo nada a tratar, ficando as aulas a cargo dos cidadãos Astolfo Guimarães e Antônio Januário Carneiro, o Presidente Dr. Almeida deu por finda a reunião e declarando instalado o Liceu mandou lavrar esta Ata que assina com diversos cavalheiros presentes.

                                               Cataguases, 1º de julho de 1896.

          O secretário – Carlos Weber

Augusto Albino de Almeida - gr\ 30 - Venerável


 

Fortunato Gomes da Silva - gr\ 33

Antônio dos Santos Peniche - gr\ 30

Antônio Januário Carneiro - gr\ 30

Francisco José Gomes - gr\ 30

José Augusto Cohen - gr\ 3

Augusto Hipólito Moreira - gr\ 3

Cornélio Vieira de Freitas - gr\3

Germano Costa Souza - gr\ 3

Astolfo Dutra Nicácio - gr\ 3

Antônio Bergamini - gr\ 3


 

 

CONVIDADOS

 


 

Astolfo Guimarães

Antônio Henriques Lopes de Barros

Leopoldo Carlos da Silva

José Otávio César Mainenti

 

 

João carneiro de castro

Ernesto Corrêa Neto

Ataliba de Abreu Vidal

Adolfo Teixeira de Miranda


 

Joaquim Cândido de Queiroz


 

 

ALUNOS

 


 

Manoel Antônio Machado

José de Almeida Kneipp

Carlos Brandão

Augusto de Sales Ferreira

Antônio da Silva Ribeiro

Raul Ferreira

Pattapio M da silva

Marcelo Falcão

Alexandre de Sales Ferreira

Alberto M. Castro

Joaquim Fernandes Leite Júnior

Antônio Mendonça

Francisco Rocha

Eduardo Lima

Antônio Severino Vasconcelos

Adolfo Bergamini


 

                          Rogério Teixeira de Miranda


 

 


 

 

O Irmão Frederico de Barros fez entrega dos primeiros livros gratuitamente como sua contribuição para as primeiras aulas.

As matrículas foram feitas de 1º a 30 de junho de 1896 e a abertura das aulas de 1º de julho do mesmo ano.

Nosso Irmão Tenente Fortunato Gomes da Silva, que também se prontificou a dar aulas gratuitamente, pediu que os Irmãos cooperassem fornecendo uma pedra, (nome que então se dava ao hoje chamado quadro negro) bancos e luz. Convém acrescentar, para mostrarmos as dificuldades pelas quais passavam, que a luz era obtida por velas e lampiões devido não ter sido ainda instalada a Cia. energética.

Com a boa aceitação por parte da sociedade cataguasense e o aumento da procura das matrículas, o ensino foi estendido para moças de 12 a 16 anos que recebiam a instrução de Francês, Português, Aritmética e Geografia.

Pela Ata de Instalação do Liceu poderemos verificar os nomes de seus fundadores e seus primeiros alunos. A Loja Maçônica Cataguazense estava assim dando sua contribuição para a educação em Cataguases.

RELIGIÃO

 

Não pertencendo a Maçonaria a nenhuma religião sectária, isto não impediu que a mesma defendesse o pastor Metodista Felipe Ravaglia de Carvalho que veio introduzir em Cataguases os princípios da religião Metodista, vítima que foi da intolerância de um padre que na época dirigia esta paróquia.

            Atiçados por este padre, foi o profano Felipe Ravaglia de Carvalho arrastado pelas ruas da cidade a fim de ser levado à estação da estrada de ferro e expulso da cidade.

            Um grupo de Irmãos, dentre eles sobressaindo o Irmão José Schetini, e o profano José Sucassas, impediram que se prosseguisse o tão lamentável acontecimento, dando ao referido Pastor todas as garantias possíveis para efetuar seu culto.

            Tais acontecimentos desenrolavam-se no ano de 1894. Neste mesmo ano solicita ingresso nesta Loja o que se processou aos 15 dias do mês de setembro de 1894, tendo sido aprovado em 20 de setembro e iniciado em 4 de outubro de 1894, com 33 anos, era casado e natural do Estado da Bahia.

            Em agradecimento, (em 1º de julho de 1895) nos ofertou uma Bíblia autografada, que até hoje enriquece nossa Loja, (Valiosa peça do Museu “Valentim Pereira da Rocha”).

Vimos assim, caríssimos Irmãos a Loja Maçônica Cataguazense atuando nos campos político, artístico, literário religioso, mas sempre tendo como objetivo e liberdade de pensamento.

 

MÚSICA

 

Aos 22 dias do mês de junho de 1921 o Irmão Firmino Miranda funda a Escola de Música, passando a ministrar aulas em uma das salas da Loja, consistindo as mesmas em instrumentos de sopro. As referidas aulas tiveram por muito tempo o concurso do maestro Rogério Teixeira, já então célebre nos meios musicais. As aulas eram dadas em instrumentos de sopro e de corda.

 

POLÍTICA

 

Até 1926 o país era governado em estado de sítio pelo então presidente Artur Bernardes. Neste ano, eleito o Sr. Washington Luís para substituí-lo, o mesmo teve grande apoio da Maçonaria tendo em vista ser também Irmão.

 

            O Irmão do nosso quadro, Adolfo Bergamini que mais tarde seria eleito Governador do Estado do Rio, confirmado no cargo como Interventor no Governo de Getúlio Vargas, gozando já de muita influência política, solicita do novo Presidente anistia para os presos políticos e a supressão do estado de sítio o que realmente se deu.

 

            O país atravessava uma fase econômica muito difícil. O descontentamento era geral. Em 1930 tivemos uma revolução que se propunha a trazer a normalidade ao país. Assume o governo o Sr. Getúlio Vargas, prometendo normalizar a situação e redemocratizar o país o que seria feito com novas eleições. Isto não se deu e foi estabelecido um governo ditatorial. A Maçonaria que luta contra todo o tipo de governo que tolhe a liberdade dos povos, passou afazer críticas contra o governo estabelecido.

 

            A Loja Maçônica Cataguazense pela voz de alguns Irmãos, não concordava com o regime ditatorial estabelecido. Dentre estes Irmãos destacava-se o Irmão Raimundo Vieira de Queiroz que passou a não ser bem visto pelos governantes locais.

 

            Aos 19 dias do mês de agosto de 1932 o referido Irmão era preso de madrugada em sua residência e transportado para local ignorado. O mesmo se dava com diversos elementos de nossa sociedade que também não apoiavam o regime ditatorial então estabelecido. Era Venerável o Irmão Valentim Pereira da Rocha que não mediu esforços para localizar o referido Irmão. Finalmente foi o mesmo localizado na cadeia de Porto Novo. Para se viajar ou sair da cidade era necessário o porte de um salvo conduto. O Irmão Valentim, conseguindo burlar a vigilância dos guardas, vai a Porto Novo e solicita dos Irmãos daquele Oriente ajuda para o Irmão Raimundo.

 

            A Loja de Porto Novo não mediu esforços e solicitou do Sr. Delegado de Polícia da cidade os seus préstimos. Assim é que fizeram a transferência para Belo Horizonte onde os Irmãos conseguiram sua libertação.

 

            Conhecedor dos princípios da Maçonaria que prega a luta contra todos os regimes ditatoriais, Getúlio Vargas e então ditador, ordena o fechamento da Maçonaria no Brasil. Isto se dava em 3 de fevereiro de 1937. Por dois anos permaneceu fechada a Maçonaria no Brasil. Os Irmãos se reunião em segredo e em pequenos grupos nas residências dos mesmos. Foi quando aos 7 dias do mês de julho de 1939 o pai de Getúlio Vargas, Gen. Nascimento Vargas, conseguiu a reabertura da Maçonaria, porém com a condição de ser sua Constituição moldada na do país, então chamada “Polaca” por suas leis ditatoriais

 

GRANDE ORIENTE UNIDO

 

Na época  dos acontecimentos anteriores era Grão Mestre da Maçonaria no Brasil o Ir\ Joaquim Rodrigues Neves que, usando dos poderes que então lhe eram concedidos pela constituição vigente de caráter nitidamente Facista, como era o então Governo do Brasil, suspendia arbitrariamente as lojas Maçônicas e Irmãos que fossem contrários às suas idéias. Não reconhecendo o resultado das eleições então realizadas para que novo Grão Mestre assumisse os destinos da Maçonaria no Brasil, insistiu em permanecer no cargo. Isto gerou um descontentamento muito grande entre várias Lojas, que se propuseram a fundar uma nova potência Maçônica, até que o ditador Rodrigues Neves fosse alijado do poder.

 

A Loja Cataguazense, como não poderia deixar de ser, colocou-se à frente do movimento juntamente com outras Lojas mineiras constituíram o Grande Oriente Unido a 13 de março de 1948 juntamente com mais 32 Lojas, passando o mesmo a funcionar no Templo da Gr\ Benemérita Loja Cairú, no Vale do Méier. A Loja Cataguazense passou a ter posição destacada no movimento, na pessoa do Ir\ Fenelon Barbosa que também foi incansável na luta para a unificação maçônica no Brasil. Em vista do trabalho que a Cataguazense passou a fazer para o expurgo do ditador Rodrigues Neves do cargo de Grão Mestre, recebemos o seguinte telegrama: “Comunico virtude participação esta Loja invasão violenta sede Gr\ Or\ do Brasil acordo deliberação unânime Conselho Geral Dr. Joaquim Rodrigues Neves, Grão Mestre, suspende direitos maçônicos. (a) Porfírio Secca Gr\ Secr\ Geral”. A resposta não se fez esperar. Em nome da Cataguazense, Ir\ Fenelon Barbosa passou o seguinte telegrama: “Loja Cataguazense sempre foi e será solidária todos movimentos que combatem sem tréguas imoralidades, servilismo, prepotência, qualidades incompatíveis dignidade humana. Para lhe arrancar das mãos o cargo usurpado, a Maçonaria independente negou sistematicamente direito apuração eleitoral para melhor anular legítimos resultados e apresentar votos fantasmas seu favor, o que não é digno consideração bons maçons. Por este motivo Cataguazense não tomando conhecimento sua {irrisória resolução} suspendendo-a direitos maçônicos por não lhe reconhecer autoridade moral falar nome Sublime Instituição continuará trabalhando lado dignos co-irmãs para expurgar Gr\ Or\ maus elementos. Caso queira venha ou mande interventor nossa Loja.” (a) Fenelon Barbosa.

 

            A luta prosseguiu até 1956, sendo que no dia 21 de dezembro deste mesmo ano se deu a unificação da Maçonaria no Brasil, finalmente expurgada da pessoa nefasta de Rodrigues Neves. Era Grão Mestre do Grande Oriente do Unido o M\ Pod\ Ir\ Álvaro Palmeira, principal baluarte do movimento e cujo nome é dado no edifício da nossa Loja.

 

            Foi esta a participação da Loja Cataguazense na história da Maçonaria Brasileira, na sua luta conta o absolutismo e intolerância.

 

OBRAS BENEFICENTES

 

 

A Maçonaria no seu conjunto harmonioso desperta àqueles que ainda não ingressaram nas suas fileiras, algo de impressionável e curioso.

 

E assim tem sido, e assim tem de ser, pois que tudo que é seu é oculto o seu trabalho. É insano e contínuo a não chegar lá fora o seu ruído. E porque esse ocultismo? A nós que combatemos sem cessar todos os vícios, crimes, subornos, desonestidades e coação, a nós que estão afeitos todos os casos sociais: nós que temos uma partícula de responsabilidade em cada lágrima que rola, em cada gemido e em cada sofrimento, temos necessidade de, encerrados nestas quatro paredes, estudarmos com carinho, com amor e com interesse todos os problemas sociais. E toda vez que não estivermos presentes aonde se ouvir um soluço triste ou o gemido que corta o coração, cometemos um grande crime e somos passíveis de acre censura.

 

E quando ninguém nos chamar a atenção para esta falta, a nossa consciência, essa companheira que não dorme, acicatará com o remorso o crime cometido, E por que não aparece em letras de ouro todo o trabalho maçônico de filantropia e beneficência?

 

Porque como preceituou o Divino Mestre Jesus: “Daí com a esquerda sem que à direita o veja”. E por que? Muito simples, porque ela dá sem humilhas aquele que recebe e sem encher de orgulho aquele que dá.

 

Por isso não queremos expor aqui as obras de beneficência feitas pela Cataguazense no decorres dos 100 anos de sua existência. No entanto ficará gravado em suas atas todo magnífico trabalho em benefício das instituições de caridade, dos Irmãos e suas viúvas, dos menos aquinhoados pela sorte, dos que sofrem nas prisões e nos hospícios.

 

Que em suas páginas os Irmãos encontrem um novo sol anunciando-vos um novo dia, e despertem e peguem cada um em suas ferramentas a fim de amanhar essa terra fértil para que, ao chegar ao fim desse grandioso dia, Ter colocado mais uma pedra no pórtico sagrado traçado por Salomão e entregar aos seus sucessores, como o estamos fazendo hoje, a continuação dessa portentosa obra que nós consagramos ao Senhor dos Mund.

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